segunda-feira, 30 de maio de 2011

Perdendo a esperança na Educação

Sou professora, trabalho a quinze anos com séries iniciais do ensino fundamental, ou seja, a primeira série do ensino fundamental de oito anos, e desde 2007, com o primeiro ano do ensino fundamental de nove anos.

Hoje venho manifestar a minha decepção, tanto na Educação, quanto em minha vida profissional.

Chegamos ao caos educacional.

Nossa classe, desvalorizada por políticas, hoje está sendo diminuída por pais e alunos. Eu tinha esperanças na Educação, esta vinha justamente do apoio familiar. Por vezes, os alunos, insatisfeitos reclamavam de seus professores, mas os pais nos apoiavam.

Hoje vejo o caos na Educação. Cabe, a nós, professores, ensinar e educar. No entanto nem mesmo assim satisfazemos.

Se falarmos em greve, somos um bando de professores reclamando de barriga cheia. E os pais indagam-se: onde deixarei meu filho?

Há uma inversão na escala de valores, se antes éramos profissionais, educadores, hoje somos babás de nossos alunos. Foi para isso que estudei? Fiz Magistério? Formei-me em Pedagogia para simplesmente cuidar de crianças?

E tudo que aprendi em como ENSINAR onde vou usar? Toda a didática necessária para exercer a docência irá por água abaixo?

E mais onde estão os deveres do aluno e da família no processo de escolarização, ou somente os direitos são relevantes?

Por estas e outras estou perdendo a esperança na Educação...

Lamentavelmente.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O uso do blog no curso de Pedagogia EAD - UFRGS

Com base no uso do blog, constatei que esta foi uma ferramenta tecnológica de grande utilidade no desenvolvimento do curso de Pedagogia EAD – UFRGS, pois baseada nas aprendizagens foram realizadas reflexões que hoje constituem este blog.

O desenvolvimento e a construção das aprendizagens trouxeram em si as relações da teoria, bem como traz reflexões com base nas práticas vivenciadas e atividades desenvolvidas no decorrer do curso.

O uso do blog tem uma função significativa na construção de aprendizagens e reflexões, bem como no processo de comunicação. O blog é uma ferramenta que contempla as aprendizagens, por meio de evidências e reflexões, bem como é válida a publicação de textos que são considerados importantes no processo de aprender e ensinar. É uma ferramenta prática de pesquisa, que permite com o uso das tecnologias digitais o registro de informações, textos que se consideram relevantes, reflexões a partir de atividades desenvolvidas e práticas vivenciadas. Esta ferramenta apresenta-se como uma grande aliada do professor no processo de ensino/aprendizagem.

O uso do blog projeta o conhecimento, o que no decorrer do curso possibilitou dinamismo para a realização e apresentação de trabalhos finais, facilitou o dia-a-dia, pois sendo um ambiente virtual, um caderno interativo no qual tinha-se tudo de fácil acesso.

Assim sendo, um arquivo de documentos, também aproximou alunos, professores e tutores, pois incentivavam a reflexão, a troca e complementação de ideias, a formação de opiniões e, desta forma, mesmo distantes, criavam-se laços.

O uso do blog oportuniza reflexão sobre as colocações, contribuindo para o crescimento pessoal e profissional, pois refletindo busca-se reformular nossas próprias opiniões, sendo que se busca construir o conhecimento por meio do diálogo.

Esta ferramenta possibilita pensar mais sobre o tema, é um recurso funcional, pois desenvolvido num ambiente virtual que facilita-nos a vida, bem como desperta o interesse em aprender e dominar novas tecnologias.

Assim, o blog amplia nossas possibilidades de interação de aluno com aluno, de aluno com professor e também de professor com professor, mas requer dedicação para que possamos aprender com esta tecnologia educacional, às vezes com provocações e desafios para que se possa refletir e melhorar a produção buscando contemplar a crítica construtiva para o aperfeiçoamento docente e discente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eixo 9 - TCC - O CONTEXTO DA PRÁTICA DE ESTÁGIO

Pensar o contexto da prática pedagógica diante de diferentes arquiteturas pedagógicas em que se desestabilizam arquiteturas pedagógicas normalmente usadas, desacomodando o professor para buscar meios para trabalhar com diferentes arquiteturas pedagógicas fora um grande desafio. Assim apresentam-se características percebidas na aplicação de cada arquitetura pedagógica em sala de aula no período de estágio supervisionado.

A metodologia do Programa de Alfabetização Alfa e Beto tem uma sequência muito parecida em todas as aulas. É uma metodologia eficaz para alfabetização, pois ensina a decodificação utilizando-se do método fônico em que o aluno faz correspondências entre letras e sons, decodificando e assim, descobrindo o princípio alfabético e, progressivamente, alfabetizar-se-á.

Já a aprendizagem por projetos é desenvolvida a partir de um tema, que pode ser escolhido pela professora ou pela turma. Com base numa proposta construtivista, traz atividades práticas que despertam grande interesse da turma.

Aprendizagem por projetos requer um norte, um rumo a seguir. É preciso direcionar, pois conforme o tema a turma pode não conseguir apresentar elementos suficientes para a estruturação.

A globalização que se percebe nos projetos mostra que é necessária uma estrutura aberta e flexível com relação aos conteúdos. A Aprendizagem por Projetos é possível, pois esta visa ensinar o aluno a aprender, a buscar a significação, a estrutura, o tema que liga as informações e que permite aprender.

Assim percebe-se que os objetivos se identificam na articulação e orientação dos conhecimentos de forma a organizar o projeto que auxiliará na aprendizagem. Portanto é uma arquitetura muito agradável, que desperta o interesse dos alunos, bem como é muito rica, pois abre um leque para exploração fabuloso para o desenvolvimento de atividades pedagógicas e jogos construídos para apoiar o trabalho, pois os alunos tem grande necessidade de brincar, e, trabalhar com elementos da realidade dos alunos lhes desperta mais interesse.

Com certeza a arquitetura desenvolvida que teve maior impacto sobre a aprendizagem e trouxe muitos desafios marcando a inovação pedagógica.

O projeto de aprendizagem estruturou-se a partir de uma pergunta escolhida pela turma, ou seja, a questão de investigação para a qual os alunos devem ter conhecimentos prévios.

É necessário que o aluno tenha interesse pela questão de investigação e seja incentivado pelo professor para participar do processo investigativo. Nesse processo o professor age como o mediador na construção do conhecimento, pois a cada etapa de pesquisa e certificação o professor negocia o uso adequado e acessível da linguagem, bem como auxilia os alunos no processo de entendimento dos conceitos, dando significado ao projeto de aprendizagem.

A interação, o diálogo e a troca são importantes requisitos na tomada de decisões para prosseguir na construção do projeto de aprendizagens. As relações na turma foram muito positivas, onde sempre se buscou chegar a um consenso, com respeito à opinião, cumplicidade e cooperação na estruturação do processo.

O crescimento ocorre tanto no grupo, bem como para cada criança, onde o envolvimento proporciona um posicionamento frente ao projeto em questão. Desta forma há avanço no domínio do assunto e na estruturação das etapas, como também se incrementa com o uso das tecnologias para crescer a partir da interação dos alunos e do professor.

As mudanças que abarcam a metodologia do projeto de aprendizagens são complexas na prática, pois trazem transformações pedagógicas, metodológicas e ideológicas. Estas mudanças não são fáceis, nem rápidas. Afinal, muda-se a base teórica e visa-se compreender e praticar ações baseadas na organização social descentralizada, ou seja, no trabalho coletivo e na autonomia. Questionar para desestabilizar, para provocar discussões, reflexões, análises e críticas passa a ser entendido, também, como essencial para preparar o que chamamos de cidadão.

Cabe, então, ao professor o desafio de que cidadão ele quer que seu aluno seja. Desta forma é preciso buscar meios para formar alunos independentes e autônomos.

Os desenvolvimentos da autonomia e da cidadania ocorrem no dia-a-dia, daí a importância do estímulo e do desafio para a construção da aprendizagem, pois é durante o processo de construção da aprendizagem que se favorece o desenvolvimento das mesmas.

Dentre as arquiteturas pedagógicas desenvolvidas no estágio, diferentes características em favor da construção do conhecimento pelo aluno foram contempladas. No entanto trabalhando com três arquiteturas pedagógicas paralelamente pode-se perceber que há muita diferença do tempo em que se transmitia informações para os alunos, como na arquitetura pedagógica do Programa de Alfabetização Alfa e Beto, pois é uma metodologia mais tradicional.

Já na arquitetura pedagógica de aprendizagem por projetos auxilia-se o aluno a aprender a aprender, pois o desenvolvimento do mesmo dependerá de como for estimulado, desafiado para aprender.

Hoje se inova com arquiteturas pedagógicas em que se constroi o conhecimento, em que o aluno é ativo e traz ideias próprias, ou seja, os conhecimentos prévios, porque se aprende desde o nascimento. Desta forma se entende que se foi o tempo em que os alunos ficavam quietos, copiando e respondendo.

Trazendo uma metodologia construtivista, a arquitetura pedagógica de projetos de aprendizagens em que é preciso educar os alunos para que se habituem a questionar e assim desenvolver o senso crítico. Portanto o professor age como mediador da aprendizagem: quando desafia o aluno a resolver situações problema, bem como o auxilia na conquista e na superação das dificuldades.

As arquiteturas pedagógicas vivenciadas no período de estágio e analisadas para este trabalho tem seus méritos, escolher uma não é o objetivo por acreditar que se deve aproveitar o que cada uma oferece para a construção da aprendizagem. Resumidamente:

• O programa de alfabetização Alfa e Beto favorece a alfabetização pelo método fônico.

• A aprendizagem por projetos em que se trabalha por temas.

• O projeto de aprendizagem é uma arquitetura que vem de encontro ao interesse do aluno.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Aprendizagens no oitavo semestre

Este semestre fora muito atribulado. Trouxe grandes desafios: trabalhar quarenta e quatro horas semanais, estruturar o estágio num todo, desenvolver diferentes arquiteturas pedagógicas paralelamente: Programa de Alfabetização X Aprendizagem por Projetos X Projeto de Aprendizagem. A reflexão a partir das atividades propostas, os registros das aprendizagens no portfólio, bem como a importância das concepções teóricas para nortear as práticas pedagógicas. Eis que foram grandes desafios.

A estruturação dos princípios orientadores para a prática pedagógica com vistas às concepções construtivistas que levam o aluno a pensar criticamente: Paulo Freire, Piaget e John Dewey e Comênio.

No decorrer do estágio a leitura de diversos textos para estruturar as reflexões foi necessária. No entanto surgiu a dúvida com relação à aprendizagem por projetos e projetos de aprendizagem, os quais eram entendidos com concepções diferentes, mas que em determinados artigos deixaram dúvidas, pois os autores ora mencionavam projeto de aprendizagem, ora mencionavam aprendizagem por projetos.

Portanto fala-se de duas arquiteturas pedagógicas diferentes. Ambas as propostas tem visão construtivista, a diferença fundamental é que na aprendizagem por projetos geralmente é realizada a partir de um tema, que pode ser escolhido pela professora e pelo grupo. Um exemplo foi a proposta de trabalho desenvolvida sobre a leitura e a escrita, em que direcionei aos contos de fada. Já o projeto de aprendizagem estrutura-se a partir de uma pergunta escolhida pela turma, ou seja, a questão de investigação.

O desenvolvimento do projeto de aprendizagem necessitou de recursos diversos, bem como o uso das tecnologias digitais e mídias foram de grande valia para a estruturação do mesmo. Muitas vezes enfrentam-se dificuldades no uso das tecnologias, mas com as crianças é diferente, pois tem sede de aprender. Sem contar que há curiosidade em aprender, conhecer e tem facilidades neste aprendizado, pois é do interesse dos educandos.

O problema é que as tecnologias em grande parte, não estão incorporadas às práticas pedagógicas, pois falta a capacitação de profissionais para que se possa ampliar as possibilidades de expressão dos aprendizes e permitir que a sala de aula torne-se um espaço para conhecimento das tecnologias digitais.

Com certeza a arquitetura desenvolvida que teve maior impacto sobre a aprendizagem e trouxe muitos desafios e que marcou maior inovação pedagógica na sala de aula fora o desenvolvimento do Projeto de Aprendizagem.

O desenvolvimento de arquiteturas pedagógicas em que se estruturam e se desenvolvem ações pertinentes em sala de aula para a construção do conhecimento, diferentemente de transmitir informações, mas sim de buscar junto ao aluno as informações e articulá-las com a estrutura cognitiva a partir dos conhecimentos prévios dos alunos vem de encontro aos seus interesses e assim construir aprendizagens significativas.

É necessário que o aluno tenha interesse pela questão de investigação e o professor seja o mediador nesta construção, pois na etapa de pesquisa e certificação o professor negocia o uso adequado e acessível da linguagem, bem como auxilia os alunos no processo de entendimento dos conceitos, dando significado ao projeto de aprendizagem.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O estudo de Libras no Eixo VII

O estudo de Libras permitiu-me ver que os surdos conceituam o mundo e assim o compreendem e interpretam. O valor da língua de sinais para as crianças surdas, tanto para a aquisição de uma língua compatível com as necessidades de comunicação, como para o desenvolvimento de habilidades é fundamental.

Já algumas escolas utilizam um ensino estruturado por ouvintes, não respeitando a cultura, língua e identidade das pessoas surdas, diferentemente de outras que privilegiam possibilidades de mudanças nas propostas de ensino, buscando professores surdos para melhor atender as necessidades educacionais dos alunos surdos.

Por vezes a comunicação pode ser o diferencial na educação, como na realidade surda em que é possível uma comunicação por sinais, a Língua de Libras, bastante complexa, bem como discordo da citação: “Muitas pessoas pensam que as línguas de sinais são um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito, sendo estética, expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação oral.” (QUADROS & KARNOPP, 2004), pois é necessário repensar o nosso olhar sobre o surdo, pois este é um cidadão como qualquer um de nós, capaz, pensante e ativo. Segundo PERLIN, 1998:

“Ser surdo é pertencer a um mundo de experiência visual e não auditiva. Viver uma experiência visual é ter a Língua de Sinais, a língua visual, pertencente à outra cultura, a cultura visual e lingüística. A identidade surda se constrói dentro de uma cultura visual muito complexa, no entanto essa diferença precisa ser entendida não como uma construção isolada, mas como construção multicultural.”

Faço uso das palavras de Paulo Freire: “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda, pois não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Desta forma é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”