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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O estudo de Libras no Eixo VII

O estudo de Libras permitiu-me ver que os surdos conceituam o mundo e assim o compreendem e interpretam. O valor da língua de sinais para as crianças surdas, tanto para a aquisição de uma língua compatível com as necessidades de comunicação, como para o desenvolvimento de habilidades é fundamental.

Já algumas escolas utilizam um ensino estruturado por ouvintes, não respeitando a cultura, língua e identidade das pessoas surdas, diferentemente de outras que privilegiam possibilidades de mudanças nas propostas de ensino, buscando professores surdos para melhor atender as necessidades educacionais dos alunos surdos.

Por vezes a comunicação pode ser o diferencial na educação, como na realidade surda em que é possível uma comunicação por sinais, a Língua de Libras, bastante complexa, bem como discordo da citação: “Muitas pessoas pensam que as línguas de sinais são um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito, sendo estética, expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação oral.” (QUADROS & KARNOPP, 2004), pois é necessário repensar o nosso olhar sobre o surdo, pois este é um cidadão como qualquer um de nós, capaz, pensante e ativo. Segundo PERLIN, 1998:

“Ser surdo é pertencer a um mundo de experiência visual e não auditiva. Viver uma experiência visual é ter a Língua de Sinais, a língua visual, pertencente à outra cultura, a cultura visual e lingüística. A identidade surda se constrói dentro de uma cultura visual muito complexa, no entanto essa diferença precisa ser entendida não como uma construção isolada, mas como construção multicultural.”

Faço uso das palavras de Paulo Freire: “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda, pois não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Desta forma é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”

Reflexão sobre as Aprendizagens do Eixo VII

A realidade da educação é um grande desafio.

Se bem pensamos que é difícil no ensino fundamental, na EJA, muito mais, pois para um jovem ou adulto que já desistiu uma vez, não é difícil desistir a segunda, principalmente não havendo uma sintonia entre o educando, o professor e a escola.

O aluno desiste, sentindo-se acuado e com medo de fracassar opta por desistir. Outro fator é a questão da linguagem, pois para um aluno que já tem dificuldades em se expressar, em compreender as explicações do professor, quando cobrado com uma linguagem diferente da sua não compreende. Cabe ao professor fazer uso de vocabulário simples e claro que possibilite ao aluno da EJA o entendimento para a apropriação do conhecimento.

Conforme Freire e Giroux, no sentido de despertar adultos críticos, que vão muito além da leitura da palavra, mas sim da leitura de mundo na qual Freire tanto falava e que neste sentido os professores façam de seu ensino um “ato relacional”, onde ambos respeitem a história de cada um e que ambos sejam atores ativos de seus próprios mundos, unindo práticas alfabetizadoras entre a leitura do mundo e a leitura da palavra, tomando o diálogo igualitário como fator imprescindível no rompimento de muros antidialógicos. Assim sendo, eu pensava que ser amiga de meus alunos poderia prejudicar o andamento da turma, no entanto hoje vejo que desta forma os alunos não desistiram.

Na EJA há fatores que diferem os alunos em função de contextos sociais e culturais nos quais os alunos estão inseridos, onde acredito que há influência de fatores psicológicos, sociais e econômicos.

Na EJA, cada aluno é um foco de competência, pois dentro de suas aptidões e/ou limitações consegue avançar, claro que são fatores bem complexos quando há grande diversidade nesta turma: alunos jovens, alunos adultos, alunos idosos, alunos analfabetos, alunos com facilidades na aprendizagem, alunos com extremas dificuldades de aprendizagem. No entanto cabe ao professor compreender e atender a cada um, superando as barreiras e construindo junto aos alunos habilidades necessárias para a próxima série.

Outro aspecto importante que ressalto no sétimo semestre foram as representações de leitura, escrita e oralidade, que construídas a partir de práticas culturais e estruturas sociais enquadram-se com as demandas e necessidades da escola. As relações entre a fala e a escrita exigem que se coloque a leitura entre a escrita e a fala, de modo que, abordar uma, sem considerar a outra, apresenta-se para nós, como uma tarefa que não conseguiríamos levar adiante, pois a leitura é uma atividade mental mediadora dessa relação.

No entanto, alfabetização deve ser pensada como um processo que vai muito além de técnicas de transcrição da linguagem oral para a linguagem escrita. Não basta apenas codificar e decodificar signos: é preciso letrar; pensar na perspectiva de alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de forma que a criança ou o adulto possa se tornar ao mesmo tempo alfabetizado e letrado.

Assim pensando o planejamento é um elemento facilitador no processo ensino aprendizagem, no qual o professor estrutura elementos para ensinar e aprender, bem como suscitará em elaborar, vivenciar e acompanhar a aprendizagem dos alunos contribuindo para a formação de cidadãos, buscando refletir:

• O que os alunos já sabem

• o que é significativo que aprendam

• as expectativas de aprendizagem apresentadas

• o que precisam aprender

• se a metodologia usada é adequada para a aprendizagem

• se há equilíbrio na avaliação

• se ao avaliar o aluno o professor considera na sua totalidade

Tendo em vista uma aprendizagem significativa, o professor assume o papel de orientador no processo de avaliação, em que deve criar condições para que o aluno analisar seu contexto e produzir cultura num processo participativo com diálogo e cooperação. O professor deve ser facilitador da aprendizagem, não um transmissor de conhecimentos, precisa criar condições para que o aluno aprenda.

O professor deve criar suas próprias estratégias de ensino e usar de sua capacidade e criatividade para a avaliação, é importante ter um estilo próprio para facilitar a aprendizagem dos alunos contribuindo para o sucesso no processo de avaliação.

É preciso mediar e compreender um processo educativo, pois acredito que acontece por meio da ação-reflexão na busca constante do conhecimento.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Teses, argumentos e reflexões

Com base nas teses estudadas e refletidas em meus argumentos pude condensar e sintetizar as mesmas de forma repensar e complementar os argumentos de acordo com os comentários das colegas revisoras. Na contra-argumentação muito pouco acrescentei, de acordo com os comentários recebidos. Já no posicionamento final procurei complementar e aperfeiçoar meus argumentos.
O trabalho com Projetos de Aprendizagem configura uma situação aberta,desestabilizadora, em que os caminhos e resultados não são pré-determinados e nem conhecidos de antemão pelos docentes. Nesta prática, os alunos, reunidos empequenos grupos formados por interesses comuns em torno de um fenômenoque querem entender, levantam questões de investigação; buscam, organizam ecomparam informações; elaboram e publicam seus achados, socializando tantoo processo desenvolvido, quanto os resultados alcançados, na medida em que otrabalho se desenvolve.
O desenvolvimento do projeto de aprendizagem se dá por meio de vários elementos constitutivos. Inicialmente é necessária a definição da questão de investigação, norteadora do projeto. Esta deve ser autêntica para o grupo, deve emergir de curiosidades próprias.
A questão de investigação inicial pode ser refinada à medida que levantamos as certezas e as dúvidas, bem como no desenvolvimento de um PA podem surgir novas certezas e novas dúvidas cuja incorporação ao projeto deve ser analisada.
As dúvidas temporárias e as certezas provisórias são conhecimentos prévios relacionados com a questão de investigação e devem oferecer suporte à busca por uma resposta. Buscar esclarecimento para as dúvidas, comprovação ou refutação para as certezas e com isso construir uma resposta a partir de uma articulação entre esses saberes para que se possa chegar a um denominador comum eficaz e com qualidade, gerando assim idéias inovadoras que levem o projeto adiante pode trazer mais incertezas e balançar ainda mais as certezas e dúvidas num movimento complexo de apropriação do conhecimento.
Para responder uma questão de investigação é importante que se utilize diferentes fontes de informação, tais como: textos, coleta de dados, observação de fenômenos, simulações, bem como os registros devem ser coerentes com o tema e sintetizados. Podem-se utilizar recursos diversificados: vídeos, entrevistas, fotos, enquetes.
A construção de mapas conceituais, no início e durante o desenvolvimento de um PA apoia a organização do conhecimento sobre a questão de investigação, evidenciando os conceitos e suas relações, dando suporte à elaboração de uma resposta, pois o mapa conceitual sintetiza, relaciona e evidencia as nossas construções durante o processo de certificação de certezas e dúvidas, bem como nos dá uma visão do todo.
A síntese de desenvolvimento do PA mostra as ideias principais, os caminhos e estratégias utilizadas pelo grupo na construção das aprendizagens. Buscamos contemplar várias informações interessantes, mesclamos o movimento do grupo para chegar à resposta. A síntese traz as informações que ajudam a responder a pergunta e também o caminho que nos permitiu chegar à resposta bem como os movimentos que foram feitos para esclarecer a questão. Falar das dificuldades e conquistas faz parte do PA, pois o torna mais pessoal, aparece um pouco do grupo e da riqueza construída.
Já o plano de trabalho é uma forma de planejamento do tempo e das atividades a serem realizadas para orientar as atividades do grupo. Durante o processo, este plano pode ser revisado para refletir as modificações originadas pelas descobertas do grupo e orientar melhor o planejamento. O trabalho em grupo exige muita cooperação para que se chegue a um consenso.
Diferente da pesquisa escolar, em um PA não interessa que o aluno apenas encontre informações, é preciso que ele aprenda a selecionar informações, analisar essas informações e com elas fazer síntese para construção da resposta à sua questão de investigação. Na busca por respostas para a questão, o estudante precisa trabalhar conhecimento de várias áreas do saber, caracterizando o PA como uma abordagem interdisciplinar.
Buscar respostas para uma questão de interesse da turma vem mostrar que o aluno envolve-se com a aprendizagem que de fato lhe interessa, desta forma será mais atencioso, bem como irá colaborar para ordem e disciplina em sala de aula. A disciplina não é sinônimo de silêncio e o envolvimento dos alunos no desenvolvimento do PA desviará o foco de questões de indisciplina. O movimento e o debate mostrarão que se desenvolve a inteligência e que se constroem novos conhecimentos em situações de confronto, de descentração de pontos de vista, em que deve haver cooperação para a consolidação das ideias para atingir os objetivos do PA.