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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Relações entre Metodologias e Teorias Psicológicas no Eixo 2

Até os anos de 1980, considerava-se que uma criança só poderia ler ou escrever se fosse treinada em uma metodologia de ensino do alfabeto. Depois dessa época, a aprendizagem da leitura e escrita passou a ser vista, como um processo de construção de conhecimento, baseados em dois métodos de alfabetização.
O método de alfabetização sintético, que vai das partes (grafema, fonema) para o todo (palavra, frase, texto). O método sintético divide-se em método fônico em o aluno deve associar os sons que emite ao falar (fonemas) às letras que aprende a grafar (grafemas), já no método silábico o aluno memoriza as famílias silábicas para formar palavras com elas, depois frases, depois textos, geralmente utilizando uma cartilha onde as sílabas e as palavras são apresentadas numa sequência escolhida de tal maneira que os alunos não confundam letras de forma ou sons parecidos.
As palavras, frases e textos utilizados destinam-se à memorização, considerada o fundamento dos processos de aprendizagem, entendida como um processo no qual o aluno recebe, de forma passiva, informações que nele são colocadas de fora para dentro, assim como no estudo teórico psicológico do Behaviorismo, em que Skinner baseia-se na ideia de que o aprendizado ocorre em função de mudança de comportamento manifesto. Essas mudanças são resultado de uma resposta individual a estímulos que ocorrem no meio, emite respostas devido a um estímulo externo.
O método de alfabetização analítico que parte do todo (palavra, frase, texto) para as partes (sílabas, grafemas, fonemas), propõem que o aluno reconheça globalmente o que lê antes de reconhecer as partes que compõem as palavras, as frases, os textos, a partir de uma construção ativa do saber pelo aluno. O aluno é visto como aprendiz ativo, e seu interesse pelo conhecimento ou necessidade que sente dele são impulsos à aprendizagem.
A teoria psicológica da Gestalt é voltada para aprendizagem num todo, no qual a aprendizagem é construída partir da percepção, explicada como um insight, organizando os estímulos para facilitar o processo perceptivo, é como muitas vezes dizemos “falta dar o estalo”. A Gestalt estuda os comportamentos como um todo, desconsiderando as condições externas e focando as condições internas configurando estímulos, percebendo relações e estruturas, resultando na totalidade.
Sob o aspecto de desconsiderar as condições externas já contradiz a aprendizagem num todo, pois entendo que o método de alfabetização analítico considera as condições externas, a leitura de mundo que o aluno tem, sua bagagem histórico-cultural, como na concepção sociointeracionista, em que o processo de apropriação da leitura e escrita se dá primeiro nas interações sociais, para depois ser internalizado pelo aluno, assim percebo o processo de construção da leitura e da escrita, sendo visto como um ato criador. Segundo Paulo Freire:

“...a que os alfabetizandos devem comparecer como sujeitos, capazes de conhecer e não como puras incidências do trabalho docente dos alfabetizadores. (...)insisti sempre na crítica aos ba be bi bo bu, à memorização mecânica das letras e sílabas, aos Eva viu a uva; à ênfase jamais esmaecida que chamei a atenção dos educadores para a necessidade de alfabetizandos se exporem à substantividade misteriosa da linguagem, à boniteza de sua própria fala, rica de metáforas” (FREIRE, 2000: 87/88).

Atualmente a escola em que trabalho utiliza a metodologia fônica: o Programa de Alfabetização Alfa e Beto. O processo de escolha, em 2008, aconteceu quando a Coordenadoria nos chamou para uma reunião em foram apresentados os programas Alfa e Beto, Instituto Ayrton Senna e Geempa. Sempre tive curiosidade pelo método fônico, mas não tinha amparo para fazer uso do mesmo em sala de aula. Feita a opção, iniciamos o ano letivo de 2009 com cursos de capacitação para nos apropriarmos da metodologia, por sinal bastante complexa.
O programa tem uma proposta bem voltada à leitura e à escrita. Mas contempla atividades que vem dar amparo ao professor, bem como os testes trazem atividades diversas de noções gerais que necessárias aos alunos. No entanto não é uma metodologia que se compare a projetos integradores, tem alguns aspectos que por vezes acho bem grosseiros, como textos que não tem nexo. Já com base nos resultados finais de 2010, a metodologia é eficiente, faz com que os alunos aprendam por meio dos sons das letras para uma leitura fluente.
No entanto, mesmo que fazendo uso de uma metodologia pronta, procuro desenvolver outras arquiteturas pedagógicas em sala de aula como aprendizagem por projetos e projetos de aprendizagem.

Aprendizagens no segundo semestre

O segundo semestre fora de muitas descobertas e desafios, pois fora meu primeiro semestre de aula. Neste tivemos aulas intensivas para trabalhar com as tecnologias digitais e mídias, pbworks, blog, bem como a recuperação das disciplinas do primeiro semestre. Voltado a escolarização, a infância, a alfabetização e a psicologia.
O processo de escolarização e a infância são fundamentais em nossa vida. Hoje, professora do 1° ano percebo uma grande diferença desta série para a 1ª série, com a qual trabalhei até final de 2006. Este ano noto os pais mais comprometidos, tanto em auxiliar as crianças, bem como acompanhar seu desenvolvimento. Já quando chegavam à 1ª série percebia o afastamento dos pais, sendo que nesta aprendiam a ler e escrever, em que alguns pais só descobriam que seu filho estava lendo na entrega de boletins.
Na escola há grande diversidade, pois cada criança tem seus anseios, desejos, ideais, angústias, traumas ou lapsos para lidar com seu id, ego e superego, sendo o professor o meio-campo, o apaziguador e mediador da situação. Já a sala de aula é o espaço de interação, apropriação e formação de cidadãos. Cada ser é único, no entanto cada criança reconhece sua imagem, se substituída a estrutura edipiana, para partir à sua identificação.
Assim diversos aspectos fundamentam o comportamento humano, da sua relação com as pessoas e a adaptação à realidade, onde ressalto a importância do apoio familiar, pois a identidade da criança não se formará somente na escola, nem tão somente para a escola, mas sim para a sua vida em família, em sociedade, para o mundo que a rodeia.
O papel do professor é fundamental no exercício educativo, apresentando o discernimento, regras e limites para trabalhar o superego, contribuindo assim para a formação da consciência moral, do caráter, bem como dos valores morais, sociais, afetivos e éticos. Nessa concepção com certeza o professor estará interagindo para a formação de indivíduos capazes, inteligentes, críticos, de identificação bem-sucedida cognitiva e afetivamente. O professor é o mediador entre seus alunos, busca equilíbrio no convívio com os alunos.
Conforme Kupfer: "Aprender é aprender com alguém" (1992, p. 84), pois a presença de um professor, colocado numa determinada posição, pode ou não propiciar a aprendizagem. A transferência se produz quando o desejo de saber do aluno prende-se a um elemento particular, que é a pessoa do professor.
Trabalhando com o primeiro ano, série em que inicia-se o processo de alfabetização misturam-se os métodos analítico e sintético. O método de alfabetização analítico parte do todo (palavra, frase, texto) para as partes (sílabas, grafemas, fonemas). Privilegiam os processos de construção de sentido da leitura e da escrita, propõem que o aprendiz reconheça globalmente o que lê antes de reconhecer as partes que compõem as palavras, as frases, os textos.
A partir de 1980, a alfabetização passou a ser vista como construção ativa de um saber pelo aprendiz, ou seja, a escrita e a leitura produzida fora da escola em seus usos sociais cotidianos, assim o aluno é visto como aprendiz ativo, e seu interesse pelo conhecimento ou necessidade que sente dele são impulsos à aprendizagem.
O método de alfabetização sintético parte das letras para as sílabas, seguindo para as palavras, depois para as frases e textos, isto é, vão das partes (grafema, fonema) para o todo (palavra, frase, texto). Privilegiam os processos de decodificação, partindo do princípio de que a língua é um código e que para aprendê-la é preciso decodificá-la. O aluno é isolado de textos que circulam fora da escola e só pode ter contato com textos escolares, produzidos para o aprendizado. As palavras, frases e textos utilizados destinam-se à memorização, considerada o fundamento dos processos de aprendizagem, entendida como um processo no qual o aluno recebe, de forma passiva, informações que nele são colocadas de fora para dentro. Atualmente esta é a metodologia que utilizamos na escola, o método fônico, baseado no Programa de Alfabetização Alfa e Beto.
Este semestre fora muito prazeroso e familiar no que diz respeito à infância, escolarização e alfabetização, bem como compreender melhor as fases de desenvolvimento pelas quais as crianças passam. Os mecanismos de defesa que podem acarretar em dificuldades na formação da personalidade trabalhados no decorrer do semestre possibilitam melhor entendimento do que se passa com os alunos.
Acredito que fechei o semestre com grandes conquistas, pois o medo e as dificuldades no uso das tecnologias e mídias digitais foram vencidos, sem contar que fazer bom uso do tempo também foi muito importante.