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domingo, 13 de dezembro de 2009

“Rumo a uma avaliação inclusiva”

As concepções de avaliação na aprendizagem de nossos alunos necessitam da construção da relação professor – aluno, ou seja, o professor precisa conhecer o aluno e não considerá-lo como um modelo quantitativo, um produto final. Com base na avaliação da aprendizagem de meus alunos, procuro seguir a avaliação mediadora, que compreende o processo avaliativo num todo e não só visando o produto final, para o qual eu considero a aprendizagem dos alunos dia-a-dia, não sendo necessária a formulação de provas para verificar o que o aluno aprende. No entanto a escola, no geral, ainda tem amplo apego à avaliação classificatória, por vezes até me desentendi com colegas por não concordar com a forma de avaliação.
Como trabalho com o primeiro ano do ensino fundamental onde a avaliação está presente no cotidiano escolar, pois considero o aluno num todo, levando em conta o ponto de partida deste aluno até o máximo que este conseguiu projetar no ano letivo. Sempre digo que tenho vinte e cinco turmas dentro de uma turma, pois cada qual chega ao primeiro ano num estágio de aprendizagem e como posso querer que todos tenham a mesma aprendizagem quando somos todos diferentes?
Para avaliar tenho critérios básicos como corrigir as atividades no caderno diariamente, tanto as atividades de aula como as tarefas de casa, dar atendimento individualizado para os alunos de forma a perceber seu progresso na escrita e leitura são alguns elementos que me auxiliam para uma avaliação reflexiva.
Os alunos são avaliados, na forma legal, por meio de pareceres descritivos, bem como procuro sempre expressar-me na realização das atividades por meio de um conceito ou parecer que estimule o aluno ou ainda por meio de notas, pois são crianças de primeiro ano que gostam desta descoberta: “a nota que a professora me deu”, claro que aos que não conseguem uma boa nota recebem um parecer de incentivo.
O acompanhamento aos resultados da avaliação vem contemplar e reafirmar o que já estava constatado no acompanhamento diário às atividades dos alunos, pois se o aluno não sabe para uma prova como saberá diariamente em aula?
Acredito que desenvolvo práticas pedagógicas coerentes com relação à avaliação, gostaria mesmo é que esta visão não fosse somente minha dentro da escola, mas sim de todo o grupo. Quando eu trabalhava com a primeira série do ensino fundamental de oito anos era nítida a diferença na avaliação da primeira séria para a segunda série, pois quando iniciavam a segunda série só ouvia o Fulano não sabe nada, o Beltrano lê muito devagar,... Mas não pensaram em como eu recebi estes alunos na primeira série e o árduo trabalho que se tem para mediar e compreende este processo educativo amplo que só ocorre por meio da ação-reflexão na busca constante do conhecimento.

A postura ética do professor frente à avaliação

Tendo em vista uma postura ética do professor, este assume o papel de orientador no processo de avaliação, deve criar condições para que o aluno analise seu contexto e produza cultura num processo participativo com diálogo e cooperação. O professor deve ser facilitador da aprendizagem, não um transmissor de conhecimentos, precisa criar condições para que o aluno aprenda, dando-lhe assistência. Deve tratar o aluno como pessoa única e o aceitar tal qual ele é.
O professor deve criar suas próprias estratégias de ensino e usar de sua capacidade e criatividade para a avaliação, é importante ter um estilo próprio para facilitar a aprendizagem dos alunos contribuindo para o sucesso no processo de avaliação.

Visão unilateral da avaliação

A escola promove a visão unilateral da avaliação, de forma que apenas um dos pólos seja avaliado por todos - o aluno. Primeiro, o aspecto físico-dimensional e organizacional da sala de aula, onde um grande número de alunos está em fila, de costas um para o outro, o professor à frente como figura central. Estabelecem uma rotina de tarefas e provas desvinculadas do processo de construção do conhecimento, descaracterizando assim a avaliação. Após as avaliações bimestrais o professor, no cumprimento das exigências da escola, dar no final do bimestre uma nota ao aluno. A partir daí, continua sua tarefa de “dar a matéria”, apenas para classificar, aprovar ou reprovar, bem oferecer a suposta recuperação de aprendizagem do aluno.

Posição reducionista da avaliação escolar

A avaliação da aprendizagem não deve ser tratada como um elemento à parte, pois integra o processo didático do ensino-aprendizagem como um de seus elementos constitutivos. A posição reducionista caracteriza-se por um ritual, onde o aluno é submetido a provas para provar o que aprendeu. Com as avaliações evidenciamos que a maneira como a avaliação vem se desenvolvendo como uma prática “reprodutivista”, em que o processo de ensino aprendizagem reduz-se aos atos: transmitir - assimilar - memorizar - reproduzir conhecimentos, por meio de questões que induzem à memorização, sem um significado real para a vida dos alunos. Assim ensinar é passar os conteúdos determinados e cobrar do aluno a reprodução desses conteúdos transmitidos através de provas e testes em que a nota final é o indicativo da assimilação dos conteúdos.

Diferenciações entre avaliação “classificatória” e “mediadora”

Com base na leitura do texto pude perceber algumas diferenças entre a avaliação classificatória e a mediadora. A primeira, a avaliação classificatória é voltada à classificação do aluno, bem como é voltada aos dados quantitativos: os resultados, provas, testes, notas. A segunda, avaliação mediadora, compreende um processo educativo amplo que só ocorre por meio da ação-reflexão, para a busca do conhecimento crescente, considerando a prática pedagógica na escola, a relação entre ensino e a aprendizagem, entre o programa e os objetivos e a relação professor-aluno, levando-se em conta os dados qualitativos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Planejamento X Metodologia Alfa e Beto





Programa de Alfabetização Alfa e Beto





Estamos neste semestre compreeendendo melhor que existem diferentes formas de planejar, mas que devemos de ter o cuidado ao realizá-lo pois dependemos de quais fatores são considerados.
O planejamento é feito para orientar o trabalho do professor e não(somente) para aspectos formais da escola.
Na escola que trabalho fora adotada uma metodologia que já traz um pré-planejamento, uma estrutura pronta, onde cabe ao professor reorganizar e aplicar as aulas, dentre as atividades dos livros e os testes.
A migração para o Programa de Alfabetização Alfa e Beto ocorreu por de processo de escolha, quando a Coordenadoria nos chamou para uma reunião em foram apresentados os programas Alfa e Beto, Instituto Ayrton Senna e Geempa. Sempre tive curiosidade pelo método fônico, mas não tinha amparo para fazer uso do mesmo em sala de aula. Feita a opção, iniciamos o ano letivo com cursos de capacitação para nos apropriarmos da metodologia, por sinal bastante complexa.
O programa tem uma proposta bem voltada à leitura e a escrita. Mas percebo que contempla atividades que vem dar amparo ao professor, fato que percebi quando realizei na escola um curso com a psicopedagoga. Percebi que muitos dos testes que a mesma exemplificou estavam em atividades diversas no livro de atividades do aluno. No entanto não é uma metodologia que se compare à projetos integradores, tem alguns aspectos que por vezes acho bem grosseiros, como textos que não tem nexo, mas a metodologia em si é eficiente, faz com que os alunos aprendam por meio dos sons.




Paulo Freire: a leitura do mundo e os temas geradores

O trabalho com temas geradores apresentado no vídeo “A construção da leitura e da escrita do adulto na perspectiva freireana” contempla muito bem a proposta pedagógica de temas geradores. Paulo Freire, em sua proposta, diz que é necessário reencantar as pessoas para que acreditem num mundo diferente.
A pedagogia freireana mostra a importância do diálogo e do contexto do processo educativo na realidade do aluno. Para Freire a construção de um mapa referencial se faz necessária, o que aprender é prioridade para que o educando compreenda a inserção do texto no seu contexto.
É necessária dar sentido à aprendizagem, conhecer as visões de mundo, as bases que o educando tem para trabalhar as diferentes linguagens. O professor precisa conhecer seu aluno para que compreenda estas visões de mundo.
Paulo Freire afirma que ninguém começa lendo a palavra, que primeiro lê-se o mundo para depois entender a leitura da palavra, ou seja, primeiro tem-se que entender o contexto em que se está inserido e a partir deste explorar a leitura da palavra.
Freire apresenta sua proposta pedagógica como um processo contínuo e permanente que serve para reaproveitar essa leitura de mundo, uma avaliação dialógica, ou seja, voltada ao diálogo.
Retrata a pedagogia do erro, bem como ressalta que para esta não se reprime o educando em função do erro. Este é um aspecto que tenho muito presente, pois temos que levar o educando a construir, pois se repreendido pelo erro pode reprimir-se e não ter estímulos para a reconstrução. Assim o professor auxilia para que o educando desenvolva a autonomia, bem como possibilita interagir em seu círculo de convivências, vencendo conflitos por meio de suas ações na busca da resposta.
É necessário que se tenha presente a aprendizagem como a reconstrução do saber, em que o foco está no interesse do educando, bem como é preciso levar em conta a vivência de mundo que o mesmo tem, pois o educando é o protagonista de sua aprendizagem, sempre num movimento de construção provisória, descentração e reconstrução.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pedagogia de Projetos

O trabalho por projetos traz aspectos positivos e desafiadores, pois propicia a articulação dos conhecimentos e beneficia a organização do ensino e da aprendizagem, em que diferentes caminhos determinarão a construção da aprendizagem.
Segundo John Dewey, a aprendizagem por projetos favorece a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação, a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitam aos alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da informação consequente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio.
Vejo que no trabalho por projetos há preocupação com o educando num todo, onde se considera o crescimento físico, emocional e intelectual, pois muitas vezes o físico e o emocional são ignorados porque o olhar está unicamente voltado à cognição.
A globalização que se percebe nos projetos, mostra que é necessária uma estrutura aberta e flexível com relação aos conteúdos escolares. Desta forma, a escola tem o desafio de proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação, em vez de lidar com as crianças de forma isolada.
John Dewey traz uma ideia que sempre considerei muito:

“Não há separação entre vida e educação, esta deve preparar para a vida, promovendo seu constante desenvolvimento, pois as crianças não estão, num dado momento, sendo preparadas para a vida e, em outro, vivendo". Então, qual é a diferença entre preparar para a vida e para passar de ano? Como educar alunos que têm realidades tão diferentes entre si e que, provavelmente, terão também futuros tão distintos?”

É realmente para se pensar, bem como é um aspecto que tenho presente em minhas concepções docentes. Nossos alunos são seres únicos.

domingo, 4 de outubro de 2009

Escola tradicional X Escola nova

Por incrível que pareça, estamos no ano 2009, passaram-se setenta e sete anos do início do movimento educacional Escola Nova , no entanto ainda vemos a imagem da Classe A, retratada na imagem acima, em salas de aula, quando sabemos que a aprendizagem é fundamental ao desenvolvimento dos processos internos na interação com outras pessoas.
O movimento da Escola Nova uniu educadores de vários pontos da Europa e da América do Norte e, aos poucos, foi-se estendendo para muitos países de outros continentes.
Apesar de educadores contemporâneos serem agrupados como uma totalidade, é evidente que os caminhos percorridos por cada um deles, as avaliações realizadas e as propostas alternativas construídas eram singulares e diferenciadas.
Alguns pontos comuns do movimento:
• A crítica à escola tradicional – aos conteúdos preestabelecidos, hierarquizados e dissociados da realidade dos alunos e aos seus métodos de ensino ultrapassados;
• A construção de uma concepção de criança e de aprendizagem distinta da tradicional;
• A crítica ao trabalho escolar que era feito para a escola e não para a aprendizagem e formação da criança;
• A organização de experiências pedagógicas alternativas;
• A luta pela inserção nos sistemas educacionais destas novas práticas;
• A elaboração de materiais de ensino concretos e diversificados;
• As sugestões para a reorganização de espaço da sala de aula e dos tempos de trabalho escolar;
• A proposição de novas formas de organização do ensino;
• A profissionalização da tarefa educativa com a organização dos educadores em sindicatos e associações docentes;
• A crítica a uma escola que tinha as lições como centro da rotina escolar;
• A utilização do método científico na escola (observação, hipótese, verificação, conclusões ou lei geral).
Os fundadores da Escola Nova como Ovide Decroly, Maria Montessori, John Dewey, Célestin Freinet e outros, fizeram uma profunda crítica à escola tradicional, problematizaram o papel do educador, do educando, da organização do trabalho pedagógico e construíram um compromisso com a transformação da escola. Os escolanovistas procuraram criar formas de organização do ensino que tivessem as seguintes características: a globalização, o interesse imediato do aluno, a participação dos alunos e da comunidade, uma reorganização da didática e do espaço da sala de aula. Nestas experiências vamos encontrar vários tipos de caminhos como: as unidades didáticas, os centros de interesse e os projetos.

Metodologias X EJA

A metodologia a ser usada na Educação de Jovens e Adultos, ao meu ver necessita de constantes reflexões, bem como não devemos nos ater a uma metodologia que não esteja efetivamente trazendo resultados esperados.
Por exemplo, usando o método analítico, o aluno é incentivado a decompor uma palavra em sílabas e, depois de isolar cada sílaba, construir sua família: se ele concebe a sílaba como uma só letra, fica difícil perceber a lógica da proposição. Não queremos dizer que o aluno não venha a perceber como isso se dá, mas a forma de trabalhar tira a possibilidade do aluno usar suas hipóteses, tendo que seguir outro caminho.
Isto reforça uma tese do fracasso da alfabetização. Aqueles que de um modo ou de outro aprendem a ler, podem ter se encontrado com uma conduta metodológica compatível com seu estágio de concepção sobre a escrita. Aí estaria uma questão de profundo significado: não é o método que se elege que promove a alfabetização, mas é todo um conjunto de conhecimentos e a postura intelectual que adotamos com relação aos sujeitos e ao objeto da aprendizagem.

EJA X Alfabetização X Emília Ferreiro

Em função dos dados obtidos com crianças, Emília Ferreiro, interessou-se por investigar como os adultos não escolarizados concebiam a escrita. Partia do princípio de que se a compreensão do código escrito precede a entrada na escola, os adultos não escolarizados teriam também, como as crianças, algumas concepções sobre a escrita. Os resultados da investigação permitiram concluir que a aquisição da escrita é uma aquisição conceitual para crianças e adultos, construída pelo sujeito nas relações com o meio, do mesmo modo que se observa em outras áreas do conhecimento.
Os níveis estruturais da linguagem desenvolvidos por Emília Ferreiro e seus colaboradores
com os adultos mostra que os mesmos conhecem o nome de algumas letras e podem usá-las na interpretação de um texto, mostram que são conscientes de que a escrita é um sistema de representação baseado em representação sonora, isto é, o escrito representa o falado. Mostram
também saber que há uma relação entre o nome da letra e o valor sonoro que ela representa.

EJA X Alfabetização X Paulo Freire

A metodologia da alfabetização de adultos, normalmente levados por uma sistematização, a leitura mecânica do chamado Método Paulo Freire, educadores de adultos tem aceito o desafio simplista de escolhidas determinadas palavras ligadas à realidade do educando, desenvolver processos de discussão e/ou aprendizagem que impliquem simplesmente na decodificação de tais palavras e na sua silabação, visando à construção de novas palavras. Tais movimentos, além de se tornarem mecânicos (como se o processo de alfabetização fosse um caminho linear de incorporação de novas sílabas ao universo de aprendizagem do educando), acabam não considerando a experiência acumulada por este educando e suas hipóteses à respeito de como tal processo de escolarização se realiza.
Ao conceber o homem como ser de vocação ontológica para ser sujeito, como um ser de relações atuando na realidade, já se antecipa que, para Paulo Freire, o processo de aprendizagem é dinâmico e ativo. Quando aceitamos que o homem seja sujeito na compreensão do mundo, aceitamos que também o seja na construção do seu conhecimento sobre a escrita, uma parcela do conhecimento social.
Paulo Freire entende alfabetização como um ato de conhecimento, no qual "aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem".
Vemos claramente como para ele aprendizagem da leitura e escrita se coloca como um processo. O trecho seguinte esclarece a relação do alfabetizando com o conhecimento e o papel do alfabetizador:

"... sempre vi a alfabetização de adultos como um ato político e um ato de conhecimento, por isso mesmo, como ato criador. Para mim, seria impossível engajarme num trabalho de memorização mecânica dos ba-be-bi-bo-bu, dos la-le-li-lo-lu. Daí que também não pudesse reduzir a alfabetização ao ensino puro da palavra, das sílabas ou das letras. Ensino em cujo processo o alfabetizador fosse 'enchendo' com suas palavras as cabeças supostamente 'vazias' dos
alfabetizandos. Pelo contrário, enquanto ato de conhecimento e ato criador, o processo da alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito. O fato de ele necessitar da ajuda do educador, como ocorre em qualquer relação pedagógica, não significa dever a ajuda do educador anular sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem escrita e na leitura desta linguagem ."

A descoberta da estrutura silábica da palavra geradora, a composição das famílias silábicas e a criação de novas palavras, é absolutamente coerente com a colocação do alfabetizando como sujeito da construção do seu aprendizado. E mais ainda, ao escolher palavras de profundo significado para os sujeitos, estamos assegurando o envolvimento do educando com elas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009


“A especialização sem limites culminou numa fragmentação crescente do horizonte epistemológico. Chegamos a um ponto que o especialista se reduz àquele que, à causa de saber cada vez mais sobre cada vez menos, termina por saber tudo sobre o nada. (...)”.
Em nosso sistema escolar, “ensina-se um saber fragmentado, que constitui um fator de cegueira intelectual, que decreta a morte da vida e que revela uma razão irracional. A ponto de o especialista não saber nem mesmo aquilo que acredita saber. Essas “ilhas” epistemológicas, dogmática e criticamente ensinadas, são ciumentamente mantidas por estes reservatórios ou silos de saber, que são as instituições de ensino, muito mais preocupadas com a distribuição de suas fatias de saber, de uma ração intelectual a alunos que não têm fome. (...)
É por isso que o interdisciplinar provoca atitudes de medo e de recusa. Porque constitui uma inovação. Todo o novo incomoda. Porque questiona o já adquirido, o já instituído, o já fixado e o já aceito.”

(JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.)
Fonte:HARPER, Babette et al. Cuidado, Escola! São Paulo: Brasiliense, 1980

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Reflexões ...

As reflexões em nosso meio docente devem ser constantes para fundamentar o planejamento de ensino.
Trago algumas reflexões que considero importantes, pois é fundamental que cada profissional faça uma análise da sua prática. Pensar que o problema está sempre no aluno, será? Será que eu, como educadora, estou conseguindo estruturar elementos para ensinar e aprender? Por isso é pertinente refletir...
O que meus alunos já sabem?
Quais são as expectativas de aprendizagem apresentadas por meus alunos?
O que meus alunos precisam aprender?
A metodologia usada é adequada para a que meu aluno aprenda?
Há equilíbrio na avaliação? Os professores ao avaliar consideram o aluno na sua totalidade e não apenas como uma nota para provar à instituição o seu saber, redesenhando, assim, o caminho para uma aprendizagem significativa?
Fica aqui o meu convite à sua reflexão e contribuição para esta postagem.

Prática docente

As práticas docentes vão modificando com a experiência assim como vejo minhas experiências tanto como estudante, como de início de carreira docente em que era exigido o plano de curso, de unidade e de aulas, onde recordei-me do Magistério, pois fora justamente desta forma que aprendi.
Segundo a autora, Maria Bernadette Castro Rodrigues, o planejamento banalizava-se em um ato meramente burocrático, citação com a qual concordo, pois planejar previamente é uma situação e colocar em prática o plano tal e qual já é outra situação, pois qualquer situação nova pode mudar o interesse do aluno.
O texto traz afirmações que recordam o início de carreira em que me preparava para desempenhar a prática tal qual o planejamento, bem como a preocupação na elaboração dos planos para atender às regras estabelecidas. A escolha de verbos mais apropriados para formulação dos objetivos, gerais e específicos, a listagem de conteúdos (que se baseavam nas famosas listas de conteúdos mínimos) e recursos, os procedimentos a serem adotados e a avaliação eram itens fundamentais para que o planejamento estivesse adequado às exigências e cobranças às quais deveria corresponder, satisfazendo exigências da supervisão da escola e da rede de ensino.
Com o passar do tempo percebe-se que ocorrem mudanças nas formas de planejar, no entanto vejo o planejamento como um elemento facilitador no processo ensino aprendizagem, no qual o professor estrutura elementos para ensinar e aprender.
Assim o planejamento suscitará em elaborar, vivenciar e acompanhar a aprendizagem dos alunos contribuindo para a formação de cidadãos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Contribuições de Comênio

A partir das leituras propostas percebo relações do que Comênio já afirmava há tantos anos com o nosso cotidiano, pois para Comênio a aprendizagem é uma necessidade de todos, homens e mulheres, de todas as classes sociais, de forma igual. Segundo Comênio a aprendizagem deve começar, a partir dos sentidos, da percepção, da experiência do aluno, dando-lhe a base, o suporte para que saiba do que se está falando.
Concordo com Comênio quando propõe que os alunos façam experiências por conta própria e aprendam a partir das próprias observações e não somente repetindo o que outras pessoas disseram, pois os alunos precisam chegar às respostas e não simplesmente receber um texto que o leve a uma resposta pronta.
É necessário conhecer o aluno para levá-lo à construção da aprendizagem, valorizar o que o aluno sabe, bem como partir da sua realidade para construção do saber. A proposta de atividades a partir do nome do aluno, o uso das fotos dos mesmos permitem abrir um leque de atividades que possibilitarão elementos importantes para que as necessidades e as capacidades de todos os alunos sejam consideradas, bem como o trabalho com textos, produção de texto coletivo, criação de poesias, formação de palavras a partir do nome, jogos de memória a partir das fotos, ligar nomes com fotos,..., são atividades que venham ter significado para os alunos.
Comênio criador da obra "Orbis Sensualium Pictus" (o mundo desenhado), no qual ele juntou gravuras, frases simples, sons e letras para a alfabetização e frases em latim para que os alunos pudessem, com um único livro, aprender a ler, escrever e conhecer o mundo a partir da visualização. Este livro foi utilizado nas escolas por mais de 100 anos.
Acredito que o material didático utilizado para alfabetização propunha aprender a ler, escrever e conhecer o mundo a partir da visualização. Imagino este material como uma parte de minha realidade, pois estamos no Programa de Alfabetização
Alfa&Beto, assim como Comênio ilustrou o alfabeto, com desenhos, com frases simples, reprodução de sons e a letra respectiva ao mesmo.
Imagino que os alunos compreendiam assim a relação apresentada por Comênio e tinham mais facilidade em aprender: visualizando, ouvindo e memorizando.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Reflexões a cerca do texto “O menininho”

Com base no texto, acredito que sendo a professora do menininho na nova escola, teria um árduo trabalho em resgatar junto a este a criatividade, a iniciativa, a autonomia e o desenvolvimento de ideias próprias, bem como estimular o trabalho independente oferecendo-lhe a oportunidades do trabalho espontâneo. Acredito que também seja necessário um resgate da auto estima deste aluno, pois sendo que sempre fora podado perdera o prazer de criação, em que estereótipos e modelos prontos lhe foram apresentados como corretos e únicos, bitolando o aluno ao modelo estipulado pela professora.
Penso que a realização de diversas atividades em aula possibilitam o crescimento com autonomia e o desenvolvimento da criatividade, pois depende do estímulo dado pela professora. Por exemplo, uma releitura de uma obra de Van Gogh, é necessário estimular e dar liberdade para que os alunos exprimam o que sentiram a partir da imagem, caso contrário não é preciso caracterizar, nem mesmo trazer conhecimentos sobre a obra, basta dizer copiem esta imagem, façam igual.
Como professora, as minhas atitudes desempenham um papel importante no desenvolvimento das atividades, pois os alunos precisam sentir-se seguros e apreciados. É na sala de aula que se refletem atitudes positivas da professora, como estar aberta às necessidades dos alunos, ter curiosidade pelo trabalho do aluno, manifestando interesse e respeito pelos mesmos. É preciso ensinar os alunos a trabalhar independentemente.
Todos, somos pessoas diferentes e nosso trabalho não envolve apenas técnicas, necessitamos atitudes determinadas por valores que visam cooperação, respeito e tolerância, oferecendo oportunidades de valorização e crescimento pessoal. É necessário que nós, professores, tenhamos consciência dos valores em jogo e que consigamos lidar com as diferenças, bem como aceitá-las. Temos que ter a consciência de que somos um modelo importante para os nossos alunos, mas que confiem em seu potencial, que são capazes de criar e recriar. Lembro-me que na infância esmerava-me em fazer meus trabalhos de Artes, mas estes nunca foram expostos nas Mostras de Trabalhos da escola, pois meus trabalhos não tinham beleza aos olhos da professora.Esta é uma das razões pelas quais eu sempre exponho todos os trabalhos de alunos e incentivo igualmente a todos, pois sei do esforço individual que cada um teve para a realização do mesmo.

“O menininho”

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.
Quando o menininho descobriu que podia ir à sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de desenhar.
Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
- Esperem, ainda não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.
- Esperem, vou mostrar como fazer.
E a flor era vermelha com o caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isto... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
No outro dia, quando o menininho estava ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
“Que bom!” pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com o barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar sua bola de barro.
- Esperem, não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora nós iremos fazer um prato.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
- Esperem, vou mostrar como se faz. Assim... Agora vocês podem começar. E o prato era fundo. Um lindo e perfeito prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostava mais do seu, mas ele não podia dizer isso... amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato
fundo, igual ao da professora. E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora.
E muito cedo ele não fazia mais as coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola...
Esta escola era ainda maior que a primeira.
Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala...
Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. E esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala.
Quando veio até o menininho falou:
- Você não quer desenhar?
- Sim. O que é que nós vamos fazer?
- Eu não sei, até que você o faça.
-Como eu posso fazer?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
- Eu não sei!
E começou a desenhar uma flor vermelha com um caule verde...

Helen Buckley