domingo, 26 de setembro de 2010

Práticas pedagógicas a partir das aprendizagens do curso PEAD UFRGS no Semestre III

As práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula evidenciam a construção da aprendizagem. As aprendizagens neste semestre estiveram voltadas para a música, o teatro, artes visuais, ludicidade e literatura infantil
Visto que a prática pedagógica é voltada para o que aprendo no curso edificando o conhecimento, pois nada melhor do que aprender e poder colocar em prática novas experiências.
Um marco neste semestre fora as atividades preparadas para desenvolver o Projeto de Música. Este trabalho estruturou-se por etapas e fora desenvolvido em turmas de primeiro ano, crianças na faixa etária de seis e sete anos, crianças muito ativos, que deliciam-se com as atividades propostas, bem como participam com muito interesse e preocupam-se em ter bons resultados.
Pude perceber que se somos estimulados e/ou estimulamos nossos alunos, podemos criar projetos simples, mas muito ricos. Também, nós, professores, podemos influenciar as preferências musicais de nossos alunos, levando-os a conhecer a história do compositor e a interpretar a música, proporcionando aos alunos desenvolver o senso crítico capaz de afastá-los do lixo auditivo ao qual estamos submetidos diariamente.
O projeto contemplou a sensibilidade dos alunos para a linguagem artística, onde os mesmos procuravam aperfeiçoar e melhorar seu desempenho na música, seja cantando ou tocando um instrumento.
Trabalhar a história de compositores favorece a estruturação do projeto, dando assim significado à música, bem como estaremos construindo conhecimento.
A expressão de sentimentos e a espontaneidade das crianças são visíveis, sendo ações naturais propiciando às crianças momentos agradáveis, como nos diz Leda Maffioletti (1992): “...quando na vida precisarmos legitimar nossas lembranças para fortalecer nossas esperanças...”

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Relações entre Metodologias e Teorias Psicológicas no Eixo 2

Até os anos de 1980, considerava-se que uma criança só poderia ler ou escrever se fosse treinada em uma metodologia de ensino do alfabeto. Depois dessa época, a aprendizagem da leitura e escrita passou a ser vista, como um processo de construção de conhecimento, baseados em dois métodos de alfabetização.
O método de alfabetização sintético, que vai das partes (grafema, fonema) para o todo (palavra, frase, texto). O método sintético divide-se em método fônico em o aluno deve associar os sons que emite ao falar (fonemas) às letras que aprende a grafar (grafemas), já no método silábico o aluno memoriza as famílias silábicas para formar palavras com elas, depois frases, depois textos, geralmente utilizando uma cartilha onde as sílabas e as palavras são apresentadas numa sequência escolhida de tal maneira que os alunos não confundam letras de forma ou sons parecidos.
As palavras, frases e textos utilizados destinam-se à memorização, considerada o fundamento dos processos de aprendizagem, entendida como um processo no qual o aluno recebe, de forma passiva, informações que nele são colocadas de fora para dentro, assim como no estudo teórico psicológico do Behaviorismo, em que Skinner baseia-se na ideia de que o aprendizado ocorre em função de mudança de comportamento manifesto. Essas mudanças são resultado de uma resposta individual a estímulos que ocorrem no meio, emite respostas devido a um estímulo externo.
O método de alfabetização analítico que parte do todo (palavra, frase, texto) para as partes (sílabas, grafemas, fonemas), propõem que o aluno reconheça globalmente o que lê antes de reconhecer as partes que compõem as palavras, as frases, os textos, a partir de uma construção ativa do saber pelo aluno. O aluno é visto como aprendiz ativo, e seu interesse pelo conhecimento ou necessidade que sente dele são impulsos à aprendizagem.
A teoria psicológica da Gestalt é voltada para aprendizagem num todo, no qual a aprendizagem é construída partir da percepção, explicada como um insight, organizando os estímulos para facilitar o processo perceptivo, é como muitas vezes dizemos “falta dar o estalo”. A Gestalt estuda os comportamentos como um todo, desconsiderando as condições externas e focando as condições internas configurando estímulos, percebendo relações e estruturas, resultando na totalidade.
Sob o aspecto de desconsiderar as condições externas já contradiz a aprendizagem num todo, pois entendo que o método de alfabetização analítico considera as condições externas, a leitura de mundo que o aluno tem, sua bagagem histórico-cultural, como na concepção sociointeracionista, em que o processo de apropriação da leitura e escrita se dá primeiro nas interações sociais, para depois ser internalizado pelo aluno, assim percebo o processo de construção da leitura e da escrita, sendo visto como um ato criador. Segundo Paulo Freire:

“...a que os alfabetizandos devem comparecer como sujeitos, capazes de conhecer e não como puras incidências do trabalho docente dos alfabetizadores. (...)insisti sempre na crítica aos ba be bi bo bu, à memorização mecânica das letras e sílabas, aos Eva viu a uva; à ênfase jamais esmaecida que chamei a atenção dos educadores para a necessidade de alfabetizandos se exporem à substantividade misteriosa da linguagem, à boniteza de sua própria fala, rica de metáforas” (FREIRE, 2000: 87/88).

Atualmente a escola em que trabalho utiliza a metodologia fônica: o Programa de Alfabetização Alfa e Beto. O processo de escolha, em 2008, aconteceu quando a Coordenadoria nos chamou para uma reunião em foram apresentados os programas Alfa e Beto, Instituto Ayrton Senna e Geempa. Sempre tive curiosidade pelo método fônico, mas não tinha amparo para fazer uso do mesmo em sala de aula. Feita a opção, iniciamos o ano letivo de 2009 com cursos de capacitação para nos apropriarmos da metodologia, por sinal bastante complexa.
O programa tem uma proposta bem voltada à leitura e à escrita. Mas contempla atividades que vem dar amparo ao professor, bem como os testes trazem atividades diversas de noções gerais que necessárias aos alunos. No entanto não é uma metodologia que se compare a projetos integradores, tem alguns aspectos que por vezes acho bem grosseiros, como textos que não tem nexo. Já com base nos resultados finais de 2010, a metodologia é eficiente, faz com que os alunos aprendam por meio dos sons das letras para uma leitura fluente.
No entanto, mesmo que fazendo uso de uma metodologia pronta, procuro desenvolver outras arquiteturas pedagógicas em sala de aula como aprendizagem por projetos e projetos de aprendizagem.

Aprendizagens no segundo semestre

O segundo semestre fora de muitas descobertas e desafios, pois fora meu primeiro semestre de aula. Neste tivemos aulas intensivas para trabalhar com as tecnologias digitais e mídias, pbworks, blog, bem como a recuperação das disciplinas do primeiro semestre. Voltado a escolarização, a infância, a alfabetização e a psicologia.
O processo de escolarização e a infância são fundamentais em nossa vida. Hoje, professora do 1° ano percebo uma grande diferença desta série para a 1ª série, com a qual trabalhei até final de 2006. Este ano noto os pais mais comprometidos, tanto em auxiliar as crianças, bem como acompanhar seu desenvolvimento. Já quando chegavam à 1ª série percebia o afastamento dos pais, sendo que nesta aprendiam a ler e escrever, em que alguns pais só descobriam que seu filho estava lendo na entrega de boletins.
Na escola há grande diversidade, pois cada criança tem seus anseios, desejos, ideais, angústias, traumas ou lapsos para lidar com seu id, ego e superego, sendo o professor o meio-campo, o apaziguador e mediador da situação. Já a sala de aula é o espaço de interação, apropriação e formação de cidadãos. Cada ser é único, no entanto cada criança reconhece sua imagem, se substituída a estrutura edipiana, para partir à sua identificação.
Assim diversos aspectos fundamentam o comportamento humano, da sua relação com as pessoas e a adaptação à realidade, onde ressalto a importância do apoio familiar, pois a identidade da criança não se formará somente na escola, nem tão somente para a escola, mas sim para a sua vida em família, em sociedade, para o mundo que a rodeia.
O papel do professor é fundamental no exercício educativo, apresentando o discernimento, regras e limites para trabalhar o superego, contribuindo assim para a formação da consciência moral, do caráter, bem como dos valores morais, sociais, afetivos e éticos. Nessa concepção com certeza o professor estará interagindo para a formação de indivíduos capazes, inteligentes, críticos, de identificação bem-sucedida cognitiva e afetivamente. O professor é o mediador entre seus alunos, busca equilíbrio no convívio com os alunos.
Conforme Kupfer: "Aprender é aprender com alguém" (1992, p. 84), pois a presença de um professor, colocado numa determinada posição, pode ou não propiciar a aprendizagem. A transferência se produz quando o desejo de saber do aluno prende-se a um elemento particular, que é a pessoa do professor.
Trabalhando com o primeiro ano, série em que inicia-se o processo de alfabetização misturam-se os métodos analítico e sintético. O método de alfabetização analítico parte do todo (palavra, frase, texto) para as partes (sílabas, grafemas, fonemas). Privilegiam os processos de construção de sentido da leitura e da escrita, propõem que o aprendiz reconheça globalmente o que lê antes de reconhecer as partes que compõem as palavras, as frases, os textos.
A partir de 1980, a alfabetização passou a ser vista como construção ativa de um saber pelo aprendiz, ou seja, a escrita e a leitura produzida fora da escola em seus usos sociais cotidianos, assim o aluno é visto como aprendiz ativo, e seu interesse pelo conhecimento ou necessidade que sente dele são impulsos à aprendizagem.
O método de alfabetização sintético parte das letras para as sílabas, seguindo para as palavras, depois para as frases e textos, isto é, vão das partes (grafema, fonema) para o todo (palavra, frase, texto). Privilegiam os processos de decodificação, partindo do princípio de que a língua é um código e que para aprendê-la é preciso decodificá-la. O aluno é isolado de textos que circulam fora da escola e só pode ter contato com textos escolares, produzidos para o aprendizado. As palavras, frases e textos utilizados destinam-se à memorização, considerada o fundamento dos processos de aprendizagem, entendida como um processo no qual o aluno recebe, de forma passiva, informações que nele são colocadas de fora para dentro. Atualmente esta é a metodologia que utilizamos na escola, o método fônico, baseado no Programa de Alfabetização Alfa e Beto.
Este semestre fora muito prazeroso e familiar no que diz respeito à infância, escolarização e alfabetização, bem como compreender melhor as fases de desenvolvimento pelas quais as crianças passam. Os mecanismos de defesa que podem acarretar em dificuldades na formação da personalidade trabalhados no decorrer do semestre possibilitam melhor entendimento do que se passa com os alunos.
Acredito que fechei o semestre com grandes conquistas, pois o medo e as dificuldades no uso das tecnologias e mídias digitais foram vencidos, sem contar que fazer bom uso do tempo também foi muito importante.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Está chegando a hora!!!!!!


A graduação parecia algo tão distante e hoje está tão próxima da concretização da sonhada formatura.



Agora o sonho é realidade.


E por que não pensar numa pós-graduação? Pois...

“A alegria que se tem em pensar e aprender

faz-nos pensar e aprender ainda mais.”

( Aristóteles )

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Método fônico

O método fônico, escolhido na escola, objetiva a associação entre fonemas e grafemas, ou seja, sons e letras. Desta forma o método de ensino permite primeiro descobrir o princípio alfabético e, progressivamente, dominar o conhecimento ortográfico próprio de sua língua, através de textos e atividades produzidos para promover a alfabetização.Como o método é baseado no ensino do código alfabético, a partir das relações entre sons e letras, no entanto são baseadas em atividades oralizadas e atividades descritas no livro “Aprender a ler”, quando deveríamos fazer o planejamento de atividades lúdicas para levar as crianças a aprender a codificar a fala em escrita e a decodificar a escrita.
O método fônico traz atividades vinculando imagem e som, para dar sentido à apresentação dos fonemas. Com base nos resultados do ano passado sabemos que o método alfabetiza crianças e que é o método mais recomendado nas diretrizes curriculares dos países desenvolvidos que utilizam a linguagem alfabética.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Projeto de Aprendizagem - novo fazer na prática pedagógica

Lendo o artigo de Suênia Izabel Lino Molin, divulgado em Contrapontos -
PROJETO DE APRENDIZAGEM E
TECNOLOGIAS DIGITAIS:
novo fazer na prática pedagógica
Volume 8 - n.2 - p. 201-214 - Itajaí, mai/ago 2008, em que cita:

“Fagundes (2007) argumenta que pensar em Projeto de Aprendizagem é acreditar em uma concepção de ensino distinta da presente na escola tradicional. Salienta que há diferenças entre o trabalho com Projeto de Ensino e com Projeto de Aprendizagem (PA). No projeto de ensino, o tema estudado parte geralmente do professor ou da coordenação pedagógica da escola e segue os conteúdos programáticos das disciplinas que constam no currículo escolar. Nele, o professor é o agente do processo e o aluno é passivo e receptor à proposta de seus mestres. O modelo é a transmissão da informação. No projeto de aprendizagem, são os alunos que decidem o que querem investigar e se a investigação será desenvolvida individualmente ou em grupo. Os problemas levantados surgem da curiosidade, dos desejos e das necessidades dos educandos. As regras e as diretrizes são negociadas entre os alunos e os professores.”

Desta forma percebia que estava meu primeiro projeto, em que eu trazia o suporte mas o aluno não investigava, desenvolvendo-se assim a aprendizagem por projetos e não projeto de aprendizagens onde o aluno age, investiga e busca por respostas para a construção do conhecimento.

sábado, 22 de maio de 2010

Projeto de Aprendizagem X Aprendizagem por projetos

Revendo minhas arquiteturas pedagógicas e lendo alguns artigos fiquei em dúvida, fui pesquisar e compartilhei com a tutora Celi, que também trocou ideias com a tutora Simone Bicca.
Quando falo em aprendizagem por projetos e projetos de aprendizagem entendo que não são a mesma coisa. No entanto fui pesquisar na net e algumas postagens e artigos que li me deixaram em dúvidas, pois os autores ora mencionam projeto de aprendizagem, ora mencionam aprendizagem por projetos.
Em minhas arquiteturas pedagógicas eu já havia descrito as duas desta forma:
Aprendizagem por projetos: Como já citei na Introdução gosto do trabalho por projetos, este traz aspectos positivos e desafiadores, em que diferentes caminhos determinarão a construção da aprendizagem. Segundo John Dewey, a aprendizagem por projetos favorece a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação, a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitam aos alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da informação consequente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio.
Projeto de aprendizagem: As dúvidas temporárias e as certezas provisórias são conhecimentos prévios relacionados com a questão de investigação e devem oferecer suporte à busca por uma resposta. Buscar esclarecimento para as dúvidas, comprovação ou refutação para as certezas e com isso construir uma resposta a partir de uma articulação entre esses saberes para que se possa chegar a um denominador comum eficaz e com qualidade, gerando assim idéias inovadoras que levem o projeto adiante pode trazer mais incertezas e balançar ainda mais as certezas e dúvidas num movimento complexo de apropriação do conhecimento. Então desta forma a visão construtivista, o aluno constrói representações por meio de sua interação com a realidade, as quais irão construir seu conhecimento, processo insubstituível e incompatível com a idéia de que o conhecimento possa ser adquirido ou transmitido. Assim como afirma o professor e psicólogo Fernando Becker: "É a pessoa que constrói o seu próprio conhecimento."

Com o auxílio das tutoras que esclareceram a diferenciação e mostraram-me que estava interpretando-os de forma correta:

"Ambas propostas podem estar amparadas em uma visão construtivista, a diferença fundamental é que na aprendizagem por projetos geralmente é realizada a partir de uma temática, que pode ser escolhida pelo professor e pelo grupo, e não necessariamente partir de uma questão de investigação como no projeto de aprendizagem. Um bom exemplo foram os trabalhos desenvolvidos em Psicologia, que foram aprendizagem por projetos, ou seja, cada grupo escolheu uma temática dentro da disciplina para desenvolver, já no PA, do SI, cada aluno escolheu uma pergunta e depois os grupos foram organizados por similaridades entre as perguntas. Ou seja, não é tema, é questão de investigação."